Sou uma pessoa que acredita no poder do reforço positivo ao
invés da crítica e do castigo.
Se penso que isso resulta comigo, que sou crescida, que
dizer do impacto nas crianças!
Penso verdadeiramente que uma criança deve ser educada
rodeada de amor, carinho e palavras bonitas. Concordo que o mimo nunca é
demais, que o colo faz bem e que uma criança só será boa se for feliz.
Acontece que, tendo criado e educado os meus dois filhos sob
esta pala de crenças, me deparo actualmente com alguns problemas – chamo-lhes “dores
de crescimento” – com a minha filha de 8 anos.
Sempre foi uma criança precoce, muito perspicaz e assertiva.
E eu nunca a reprimi. Sempre estimulei a sua independência e alimentei a sua auto-estima.
Foi desde sempre muito amada e estimada e mimada e lambuzada (que eu adoro dar
beijos aos meus filhos) e amparada (porque estou sempre lá para ela).
Dei muito do meu tempo aos meus filhos. Tempo profissional também, já que deixei de trabalhar para acompanhá-los na primeira infância.
Dei muito do meu tempo aos meus filhos. Tempo profissional também, já que deixei de trabalhar para acompanhá-los na primeira infância.
Tenho a certeza – e digo isto sem qualquer tipo de modéstia –
que os meus filhos foram sempre emocionalmente estáveis, saudáveis e que não é
possível que tenham tido qualquer tipo de carências afectivas até terem entrado
na escola, ambos aos 3 anos.
[Sobre a entrada na escola impõe-se um outro post, já que muda
tudo. Tudo mesmo. Abala obrigatoriamente a criança e os pais, desde logo por
quebrar uma rotina instituída até aí na vida da criança.]
Curiosa, estou sempre a pesquisar acerca das questões da
parentalidade positiva ou consciente, como lhe chamam. E é muito fácil aceder aos
conteúdos porque hoje em dia toda a gente escreve livros, blogues, etc., sobre
este tema. Em todo o lado encontramos alguém que pensa sobre isto, defende
teorias, vende workshops, whatever…
Eu própria já pensei em fazer uma formação devidamente autenticada
com o objectivo a longo prazo de poder exercer o “coaching” parental, que é um
termo muito pomposo que me interessa muito e que serve para designar um
trabalho que é feito com os pais para que estes se possam conhecer melhor a si
mesmos e consequentemente também aos seus filhos. Pressupõe que a relação entre
pais e filhos saia reforçada, melhorada, seja mais positiva e feliz.
Embora com contornos diferentes do “coaching”, o que está na
moda são os autores que defendem esta “parentalidade positiva/ consciente”. E
eu, que sinto que preciso de estar actualizada, que sinto que é sempre possível
melhorar, leio tudo o que encontro.
Pois bem, mesmo na posse de muita informação, depois de ler
muito, de respirar fundo e tentar aplicar algumas sugestões de vários autores,
de implementar tentativas seguidas de erro – poucas vezes de sucesso, há que
dizê-lo – chego à conclusão que há muita gente que escreve sem saber do que
fala e que há muitos pais “desesperados” por acreditar em métodos “milagrosos” que
enchem salas para ouvir estes “gurus” dissertar acerca das nossas relações com
os nossos filhos.
Bolas, tem de haver outra maneira!
Como é que é possível que uma pessoa que não me conhece de
lado nenhum, que não sabe nada sobre a minha vida e sobre as minhas vivências,
que não faz ideia de como foi construída a minha relação com os meus filhos, me
venha ensinar a ser uma mãe ”melhor”?
Como é que é possível que numa sala com 50 pais o discurso
seja igual para todos?
Eu não acredito que desta forma seja possível melhorar nada.
Vamos todos para casa fazer “o que nos mandaram” e esperar resultados positivos!
Não pode resultar porque nós somos todos diferentes uns dos outros e as nossas
crianças são diferentes também.
O pior vem depois. Depois de tentar várias vezes, sem sucesso,
vem a frustração e a culpa. Mas porque é que os outros conseguem e eu não? Se
calhar sou eu que não sou uma mãe suficientemente boa… Ou então é o meu filho
que é mau, que é difícil, porque boicota o meu trabalho como mãe/ pai.
Após ter lido muito do que se escreve por aí, entre
pseudo-entendidos na matéria e pessoas que sabem efectivamente do que falam, penso
que é possível fazer um trabalho mais sério do que aquele que está a ser feito.
Não faz sentido para mim que qualquer pessoa que acha que percebe de motivação/
felicidade/ parentalidade comece a dar aulas aos outros e quem não faz assim
está a fazer mal ou, como é politicamente correto, faz “menos bem”.
Na minha casa há o principal – há amor, acima de tudo. E há
duas crianças que me desafiam diariamente a querer ser melhor. Às vezes há
gritos – deles e meus – e muito raramente umas palmadas no rabo (que também as
dou se for preciso).
Se eu gostava que acabassem os gritos? Sim, gostava.
Se eu gostava que não houvessem birras? Adorava.
Se eu gostava de sair de casa todas as manhãs a cantar com
os meus filhos em vez de sair de casa com o sangue a ferver, depois de me ter
enervado com os dois um sem número de vezes? Ó céus, como eu gostava.
No entanto, eu faço o melhor que sei e que posso. Neste
momento falta-me a paz de espírito e a confiança para dizer para mim mesma: “Calma
Joana, vai tudo correr bem.”
Porque educar uma criança é uma grande responsabilidade e um
peso imenso que se abate sobre nós. Eu amo-os muito mas nos dias de hoje só o
amor não chega!

2 comentários:
Concordo plenamente!! Se entre os nossos filhos, que são nossos e os conhecemos bem, o modo como educamos um não funciona com o outro, o que dizer de tanta gente enfiada numa sala?! Há muita gente a explorar esse calcanhar de Aquiles que todos nós, pais e mães, temos: o medo de errar com os nossos filhos e os impedir de ser felizes. Muito bem escrito, parabéns! E sim, o amor chega desde que seja acompanhado de bom senso...
É mesmo isso que sinto: que há uma exploração dessa insegurança e dessa vontade que todos temos de ser bons pais e de criar crianças felizes!
Sei que nem todos concordam mas é a minha opinião.
Obrigada pelo comentário Cartuxa!
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