Os dias passam e ainda parece mentira.
A verdade é que nunca a morte de alguém mexeu tanto comigo (para além daqueles que me eram realmente próximos).
Ontem explicava aos meus filhos o porquê das noites mal dormidas desde que recebi esta noticia, na quinta-feira. Tenho a certeza que não perceberam tudo, aquilo que sinto cá dentro, porque é algo que também não me é fácil explicar; é o percurso de uma vida, a minha, que foi sendo acompanhada e musicada pelo Zé Pedro e pelos Xutos e Pontapés.
Quando aos dez ou onze anos (teria que ir confirmar as datas) pedi ao meu pai que me comprasse o disco duplo de capa preta e o quanto foi difícil convencê-lo. O meu primeiro vinil! (passada a fase dos Ministars e Onda Choc!)
As tardes passadas no quarto, a pintar ao som da música deles, durante a adolescência - sei exatamente qual o quadro que pintei enquanto ouvia a Chuva Dissolvente em modo "repeat"; os concertos; as amigas que batizaram os filhos com o nome deste homem em sua homenagem (aquela paixoneta secreta pelo guitarrista "bad boy"); a viagem de avião que fiz com ele de Londres até Lisboa (penso que em 2005); as fotografias que tirámos; as noites passadas com os amigos nas festas de Corroios, etc.
Podia continuar mas são muitos momentos banais, e ao mesmo tempo especiais, que formam a manta de retalhos de que sou feita.
Podia continuar mas são muitos momentos banais, e ao mesmo tempo especiais, que formam a manta de retalhos de que sou feita.
Há poucas pessoas assim, que marcam. O Zé Pedro era diferente e tem sido difícil aceitar que partiu.
Para mim, já o escrevi, será eterno!
Para mim, já o escrevi, será eterno!
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