quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Vá-se lá saber porquê, convenci-me que tinha que gostar daquilo!

E no dia em que fiz 37 anos aprendi uma lição que as pessoas normais aprendem, talvez, aos 12 anos.
Estou à vontade para escrever esta "crítica" porque não sou famosa, nem blogger da moda, e por isso não vão acusar-me de estar a denegrir uma marca em favorecimento de outras...

Fará na próxima segunda-feira exactamente um ano que fomos pela primeira vez jantar a um dos restaurantes "do momento" (àquela data, entenda-se, embora continue a ser bastante elogiado). Uma hamburgueria portuguesa em Cacilhas. As expectativas eram elevadas porque alguns amigos já lá tinham estado e disseram-nos maravilhas.
O marido fazia anos e por isso reservámos mesa.
Chegamos ao restaurante e, para nossa surpresa, a nossa mesa estava a servir outras pessoas... Eramos dois adultos com duas crianças cheias de fome, à porta do estaminé, e estava um frio "do caraças". Torcemos logo o nariz, ainda ponderámos descer a rua, mas a fila na Máfia das Pizzas estava igualmente longa. E acabámos mesmo por esperar quase uma hora por uma mesa.

Fizemos o pedido e passados uns 20 minutos vieram informar-nos que já não havia pão para os hambúrgueres que tínhamos escolhido. Aceitámos a troca pelo pão com sementes, porque nesta altura já só queríamos era comer qualquer coisa.
Quando finalmente a comida chegou, dei uma dentada no meu hambúrguer e detectei imediatamente duas coisas: 1.º - o hambúrguer estava cru por dentro e 2.º - o hambúrguer sabia a detergente/ desinfectante. Presumo que tivesse estado em contacto com a bancada acabada de limpar ou algo do género.
No entanto, como o Rui já espumava da boca, não fiz muitas ondas e lá acabámos aquele martírio.
Fase seguinte: pagar! Não têm multibanco. Fomos levantar dinheiro ao fundo da rua.
Pedir factura: uma complicação... ou apenas má vontade?
Saímos de lá a detestar!

Entretanto em conversa com amigos, toda a gente dizia muito bem do restaurante, marcaram lá os jantares de natal das empresas, etc. Convenci-me que tinha de lá voltar para tirar as teimas. Talvez tivesse sido um azar e dias maus toda a gente tem.
Por isso, no início do verão voltámos lá outra vez. Também ao jantar mas desta vez muito cedo para não termos de esperar à porta. Não marcámos mesa mas tínhamos muitas à escolha e sentámo-nos logo.
No entanto, foi novamente uma desilusão.
Confirmámos que os hambúrgueres não são nada de especial, as doses são mínimas (a Maria ficou com fome com o prato para as crianças), o pão devia ter alguns dias e a empregada que nos atendeu era extremamente antipática. 
Mais uma vez, não gostámos.

Sucede que eu convenci-me, vá-se lá saber porquê, que tinha que gostar daquilo.
E que, se calhar, estava a ser influenciada pela opinião do Rui que, simplesmente, garantiu-me que não voltaria lá!
Então, ontem, peguei nos meus filhos e na minha mãe e fomos lá jantar! E confirmei que tudo se mantinha igual às outras vezes. Não havia aperitivos, a sopa era uma amostra e os hambúrgueres estavam secos! 
Acresce que no final esqueceram-se de me trazer o troco. Quando lhes disse isso mesmo, duvidaram, perguntando com que notas tinha pago (??!!). Lamentei não ter anotado os números de série! A gerente fez-me umas trombas maiores que um comboio mas trouxeram o troco! 

Tenho pena - nem sei porquê mas tenho. Este é sem dúvida um daqueles casos em que o marketing foi muito bem feito mas depois o resto não acompanhou.
Eu queria gostar daquilo, porque o espaço é giro, remete-nos para a infância, combate as cadeias de fast-food, é na margem sul, entre muitas outras coisas, mas simplesmente não é possível. 
A verdade é que não voltaremos lá.

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