O parto estava previsto para 15 de Março mas tínhamos a indução marcada para dia 18 porque o rapaz não manifestava vontade de querer nascer (e como a irmã nasceu às 40 semanas + 6 dias, pensámos que ele se preparava para lhe seguir o exemplo).
Sendo eu contra as induções, não estava nada confortável com este cenário mas concordei com a médica quando, a esta data, já teríamos ultrapassado as 40 semanas, e eu, muito sinceramente, já quase não me conseguia mexer.
Assim, preparei-me psicologicamente para o nascimento no dia 18, e organizei a minha vidinha para essa semana, de forma a ter tudo arrumado para a chegada do bebé.
Segunda-feira (dia 14), fui deixar a Maria à escola, fui à depilação (já não fui a tempo de arranjar as unhas das mãos e dos pés porque a marcação estava feita para quinta-feira), almocei e pus-me a arrumar a casa, mais concretamente os brinquedos da Maria, separando os que ficariam no quarto, no sótão e os que eram para dar.
Andei escada abaixo escada acima (para quem não sabe a casa tem 3 pisos) carregada de sacos e saquinhos e com o aspirador na outra mão. Tentei dar um jeitinho em todas as divisões porque no dia seguinte viria uma empresa fazer uma limpeza à casa e, para isso, as coisas deveriam estar todas nos seus devidos lugares.
Fiz o jantar, dei banho à Maria, deitei-a e ainda fui organizar uns papéis do trabalho.
Resumindo, abusei um bocadinho…
Por volta das 23:00 comecei a sentir-me esquisita, mal disposta, e fui para o sofá esticar as pernas, à espera que o Rui chegasse a casa.
Como ele nunca mais chegava fui enfiar-me no banho para ver se relaxava.
Era meia-noite em ponto quando três coisas aconteceram em simultâneo: o Rui chegou, eu desliguei a água do banho e rebentou a bolsa.
Ao inicio, como estava na banheira, ainda duvidei se seria liquido amniótico ou água do banho mas continuei a perder liquido e desfizeram-se as dúvidas.
Passo seguinte: ligar à minha mãe para vir tomar conta da Maria enquanto nós nos preparámos para rumar ao hospital.
Neste momento instalou-se a dúvida: vamos para que hospital?
A Maria nasceu no Hospital Garcia de Orta porque a minha médica trabalhava lá. No entanto, quando ela nasceu, a médica não pôde estar presente e quem fez o parto foi a enfermeira que me tinha dado o curso de preparação para o parto e com quem, depois disso, estabeleci uma relação de amizade. Foi incansável e é uma excelente profissional, em quem confio plenamente.
Apesar de tudo o que oiço por aí, eu só tenho coisas boas a dizer do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta e guardo muito boas recordações dos dias que lá passei, em 2006.
Desta vez tinha tudo marcado na CUF Descobertas porque a médica agora está lá, mas a enfermeira continua no Garcia de Orta e, se chegando à data da indução a questão não se colocava pois iria sem qualquer dúvida ter com a Dra. Susana à CUF, com o inicio espontâneo do trabalho de parto equacionei a hipótese de ir para o Garcia de Orta onde teria a Enf. Palmira para me acompanhar.
Então, sem ter em conta as horas, liguei para a enfermeira. Ela iria entrar ao serviço às 8:00h do dia seguinte, pelo que se o parto se atrasasse ela chegaria a tempo de o fazer. De qualquer forma, ofereceu-se logo para ligar para o hospital e informar os colegas da minha ida, caso eu optasse por ir para lá.
Liguei depois para a médica. Também ela só estaria na CUF de manhã, perto das 8:00h.
Por momentos fiquei sem saber o que fazer pois em qualquer dos casos não teria a presença da médica ou enfermeira durante a noite.
Sendo assim, decidi-me pela CUF, para que o Rui pudesse ficar comigo nas noites seguintes.
Malas no carro e lá fomos nós (na confusão, e porque não tinha a mala completamente pronta, ainda me esqueci da escova do cabelo e do carregador do telemóvel).
Chegámos ao hospital perto da 01:00.
Quando parámos o carro nas urgências, estava um homem a fumar um cigarro à porta. Ao ver a minha cara e a minha barriga disse-me: “olhe que o dia 15 é um bom dia para se nascer!” Eu nem respondi! Estava em transe! Muito mais nervosa do que da primeira vez. Como me diria a anestesista horas mais tarde ao colocar o cateter para a epidural “em certos aspectos, a ignorância é uma coisa muito boa”; e se da primeira vez tudo era novidade, desta vez eu já sabia muito bem ao que ía.
Papelada tratada, uma enfermeira veio buscar-me e levou-me para o segundo piso onde fui observada pela médica de serviço.
Esta confirma a ruptura da bolsa (impossível não confirmar porque continuava a perder liquido) mas o trabalho de parto ainda não tinha tido inicio.
Fui depois encaminhada para o quarto 211, onde passaria a noite.
Deram-me a bata, dois microlax, e disseram-me que tentasse dormir um bocadinho. O que não chegou a acontecer porque as contracções começaram pouco depois e às 3:30 já eram muito difíceis de suportar. Chamei a enfermeira Rosa que me aplicou o acesso venoso na mão e chamou a anestesista para me dar a epidural.
[No parto da Maria, fui para o hospital convencida de que não queria epidural. Disse-o à enfermeira logo que fui internada mas depois acabei por ceder e ainda bem que o fiz porque a minha filha era enorme (4,160Kg) e tiveram de utilizar ventosas e fórceps.
Desta vez nem quis arriscar. Assim que pude, pedi-a logo!]
O problema é que nesta gravidez tive sempre as plaquetas baixas e para o fim mesmo muito baixas (marcadas a vermelho no “Livro da Grávida”), pelo que as enfermeiras e anestesista hesitavam em picar-me.
Eu pedi-lhes que vissem as últimas análises, que tinham uma semana e vá-se lá saber porquê estavam francamente melhores, mas ninguém queria arriscar e àquela hora não podiam ligar à médica. Passado algum tempo em conferência fora do quarto lá voltaram para me introduzir o cateter.
Depois da primeira dose pude descontrair um bocadinho e aproveitámos para fazer umas filmagens para a posteridade.
A enfermeira era impecável e de tempos a tempos aparecia no quarto para saber como me estava a sentir.
Quando começava a sentir novamente as dores, era repicada e voltava a respirar de alívio.
Passámos a noite nisto.
Perto das 7:30 chegou a Dra. Susana.
O bebé estava taquicárdico porque eu estava com febre e tiveram de rever a minha medicação.
Entretanto, pelas 9:00h completei a dilatação e comecei, ainda no quarto, a fazer força para ver se o bebé descia, porque, sendo grande, estava ainda muito subido.
Depois de uma noite em claro, muitos nervos à mistura e muitas dores também, chegou o momento de sairmos do quarto rumo ao bloco de partos.
Posso confirmar – porque está tudo filmado em vídeo – que o Dinis demorou 5 minutos a nascer. Fiz força duas vezes e o rapaz já estava cá fora.
Foi perfeito.
Não o vi logo e por isso perguntei ao pai com quem se parecia.
- “Com a irmã” – disse ele. O que no fundo equivalia a dizer que se parecia com ele…
Mas não, estava a brincar, e o Dinis é parecido comigo.
Tirando o facto de ter cabelo preto e olhos castanhos (que na primeira semana eram bem azuis…).
Sendo eu contra as induções, não estava nada confortável com este cenário mas concordei com a médica quando, a esta data, já teríamos ultrapassado as 40 semanas, e eu, muito sinceramente, já quase não me conseguia mexer.
Assim, preparei-me psicologicamente para o nascimento no dia 18, e organizei a minha vidinha para essa semana, de forma a ter tudo arrumado para a chegada do bebé.
Segunda-feira (dia 14), fui deixar a Maria à escola, fui à depilação (já não fui a tempo de arranjar as unhas das mãos e dos pés porque a marcação estava feita para quinta-feira), almocei e pus-me a arrumar a casa, mais concretamente os brinquedos da Maria, separando os que ficariam no quarto, no sótão e os que eram para dar.
Andei escada abaixo escada acima (para quem não sabe a casa tem 3 pisos) carregada de sacos e saquinhos e com o aspirador na outra mão. Tentei dar um jeitinho em todas as divisões porque no dia seguinte viria uma empresa fazer uma limpeza à casa e, para isso, as coisas deveriam estar todas nos seus devidos lugares.
Fiz o jantar, dei banho à Maria, deitei-a e ainda fui organizar uns papéis do trabalho.
Resumindo, abusei um bocadinho…
Por volta das 23:00 comecei a sentir-me esquisita, mal disposta, e fui para o sofá esticar as pernas, à espera que o Rui chegasse a casa.
Como ele nunca mais chegava fui enfiar-me no banho para ver se relaxava.
Era meia-noite em ponto quando três coisas aconteceram em simultâneo: o Rui chegou, eu desliguei a água do banho e rebentou a bolsa.
Ao inicio, como estava na banheira, ainda duvidei se seria liquido amniótico ou água do banho mas continuei a perder liquido e desfizeram-se as dúvidas.
Passo seguinte: ligar à minha mãe para vir tomar conta da Maria enquanto nós nos preparámos para rumar ao hospital.
Neste momento instalou-se a dúvida: vamos para que hospital?
A Maria nasceu no Hospital Garcia de Orta porque a minha médica trabalhava lá. No entanto, quando ela nasceu, a médica não pôde estar presente e quem fez o parto foi a enfermeira que me tinha dado o curso de preparação para o parto e com quem, depois disso, estabeleci uma relação de amizade. Foi incansável e é uma excelente profissional, em quem confio plenamente.
Apesar de tudo o que oiço por aí, eu só tenho coisas boas a dizer do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta e guardo muito boas recordações dos dias que lá passei, em 2006.
Desta vez tinha tudo marcado na CUF Descobertas porque a médica agora está lá, mas a enfermeira continua no Garcia de Orta e, se chegando à data da indução a questão não se colocava pois iria sem qualquer dúvida ter com a Dra. Susana à CUF, com o inicio espontâneo do trabalho de parto equacionei a hipótese de ir para o Garcia de Orta onde teria a Enf. Palmira para me acompanhar.
Então, sem ter em conta as horas, liguei para a enfermeira. Ela iria entrar ao serviço às 8:00h do dia seguinte, pelo que se o parto se atrasasse ela chegaria a tempo de o fazer. De qualquer forma, ofereceu-se logo para ligar para o hospital e informar os colegas da minha ida, caso eu optasse por ir para lá.
Liguei depois para a médica. Também ela só estaria na CUF de manhã, perto das 8:00h.
Por momentos fiquei sem saber o que fazer pois em qualquer dos casos não teria a presença da médica ou enfermeira durante a noite.
Sendo assim, decidi-me pela CUF, para que o Rui pudesse ficar comigo nas noites seguintes.
Malas no carro e lá fomos nós (na confusão, e porque não tinha a mala completamente pronta, ainda me esqueci da escova do cabelo e do carregador do telemóvel).
Chegámos ao hospital perto da 01:00.
Quando parámos o carro nas urgências, estava um homem a fumar um cigarro à porta. Ao ver a minha cara e a minha barriga disse-me: “olhe que o dia 15 é um bom dia para se nascer!” Eu nem respondi! Estava em transe! Muito mais nervosa do que da primeira vez. Como me diria a anestesista horas mais tarde ao colocar o cateter para a epidural “em certos aspectos, a ignorância é uma coisa muito boa”; e se da primeira vez tudo era novidade, desta vez eu já sabia muito bem ao que ía.
Papelada tratada, uma enfermeira veio buscar-me e levou-me para o segundo piso onde fui observada pela médica de serviço.
Esta confirma a ruptura da bolsa (impossível não confirmar porque continuava a perder liquido) mas o trabalho de parto ainda não tinha tido inicio.
Fui depois encaminhada para o quarto 211, onde passaria a noite.
Deram-me a bata, dois microlax, e disseram-me que tentasse dormir um bocadinho. O que não chegou a acontecer porque as contracções começaram pouco depois e às 3:30 já eram muito difíceis de suportar. Chamei a enfermeira Rosa que me aplicou o acesso venoso na mão e chamou a anestesista para me dar a epidural.
[No parto da Maria, fui para o hospital convencida de que não queria epidural. Disse-o à enfermeira logo que fui internada mas depois acabei por ceder e ainda bem que o fiz porque a minha filha era enorme (4,160Kg) e tiveram de utilizar ventosas e fórceps.
Desta vez nem quis arriscar. Assim que pude, pedi-a logo!]
O problema é que nesta gravidez tive sempre as plaquetas baixas e para o fim mesmo muito baixas (marcadas a vermelho no “Livro da Grávida”), pelo que as enfermeiras e anestesista hesitavam em picar-me.
Eu pedi-lhes que vissem as últimas análises, que tinham uma semana e vá-se lá saber porquê estavam francamente melhores, mas ninguém queria arriscar e àquela hora não podiam ligar à médica. Passado algum tempo em conferência fora do quarto lá voltaram para me introduzir o cateter.
Depois da primeira dose pude descontrair um bocadinho e aproveitámos para fazer umas filmagens para a posteridade.
A enfermeira era impecável e de tempos a tempos aparecia no quarto para saber como me estava a sentir.
Quando começava a sentir novamente as dores, era repicada e voltava a respirar de alívio.
Passámos a noite nisto.
Perto das 7:30 chegou a Dra. Susana.
O bebé estava taquicárdico porque eu estava com febre e tiveram de rever a minha medicação.
Entretanto, pelas 9:00h completei a dilatação e comecei, ainda no quarto, a fazer força para ver se o bebé descia, porque, sendo grande, estava ainda muito subido.
Depois de uma noite em claro, muitos nervos à mistura e muitas dores também, chegou o momento de sairmos do quarto rumo ao bloco de partos.
Posso confirmar – porque está tudo filmado em vídeo – que o Dinis demorou 5 minutos a nascer. Fiz força duas vezes e o rapaz já estava cá fora.
Foi perfeito.
Não o vi logo e por isso perguntei ao pai com quem se parecia.
- “Com a irmã” – disse ele. O que no fundo equivalia a dizer que se parecia com ele…
Mas não, estava a brincar, e o Dinis é parecido comigo.
Tirando o facto de ter cabelo preto e olhos castanhos (que na primeira semana eram bem azuis…).
1 comentário:
Descrição completa e exaustiva !
Ser mãe é BONITO,mas não é fácil !
Mas VALE A PENA.
PARABÉNS !
Enviar um comentário