sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A dependência da chucha

Sei que não sou a única a debater-me com este problema mas às vezes pergunto-me porque é que ainda não resolvi esta questão.

Quer dizer, eu sei a resposta, não resolvi porque isso implica várias noites sem dormir e algumas birras e então vou deixando andar porque até há pediatras que defendem que não se deve retirá-la a uma criança que ainda não esteja preparada para tal. Ficará frustrada e insegura, dizem uns, terá efeitos negativos na vida sexual, dizem outros, e o que eu sei é que não quero ser responsável por tão grandes traumas na vida da minha filha.

Então, há que esperar que seja ela a querer deixá-la.

Ora bem, a Maria é dependente da chucha para dormir. Aliás, em bom rigor, ela tenta subornar-me várias vezes ao longo do dia para que eu lha dê (ó mãe, só um bucuguinho) mas eu mantenho-me firme e não lha dou. E ela esquece-se.

A Maria só pegou na chucha com dois meses. Lembro-me perfeitamente do dia 21 de Julho de 2006 pois a partir dessa data as noites e os dias passaram a ser muito mais calmos. Em desespero de causa, e como não pegava nas anatómicas, comprámos 7 exemplares e nem foi preciso abri-las todas pois à primeira tentativa a escolha estava feita: uma chucha horrível, com a bandeira americana e formato cereja.

[Quem tem alguma informação sobre a matéria sabe perfeitamente que as chuchas em formato cereja são as menos recomendáveis por deformarem a boca das criancinhas.]

Mas enfim, passámos todos a dormir mais, e nessa altura foi uma bênção.

Claro que depois tivemos de comprar mais para ter de reserva e nessa altura trouxemos aquelas redondas da Chicco, todas em borracha, que praticamente tapam a cara dos bebés.

Foi uma maravilha porque eram macias e ela adorou. E como foi sempre muito poupadinha o stock durou até há bem pouco tempo.

O que se passa é que as últimas já estavam muito para lá do seu tempo de vida útil e estavam sempre cheias de pêlos e porcarias agarradas e decidi substituí-las pelas que estão na fotografia. O importante mesmo era ter o formato cereja e isso estava garantido.

Pois bem, a Maria patanisca adoptou-as rapidamente, e com a mesma rapidez ganhou um tique que consiste em empurrar a argola da chucha contra o nariz com toda a força e com isso já conseguiu que o seu nariz se pareça um pouco com o da Miss Piggy.

Eu que não aprecio o género decidi que aquilo tinha que acabar e corri para a farmácia em busca das ditas chupetas de borracha. (Ao menos essas não dão para empurrar contra o nariz)!

E foi então que me disseram que essas chupetas tinham sido retiradas do mercado.

Não me dei por vencida e procurei em todas as farmácias do concelho para ver se alguém teria alguma esquecida nas prateleiras. Nada.

Nem aqui, nem em lado nenhum.

Passo seguinte: escrever um e-mail para a Chicco e explicar o meu problema. Talvez tivessem pena de nós e com um bocadinho de boa vontade enviar-me-iam uma por correio.

Dias depois chega a resposta: «o modelo solicitado no seu e-mail já não é comercializado».

Ora bolas, isso sei eu e por essa razão é que os contactei.

Nova tentativa. Respondo à senhora que não percebo porque razão as retiraram do mercado e suplico que procure se não restou nem uma em armazém. De qualquer forma ela irá largar a chucha em breve e uma só já resolvia o meu problema.

Hoje o esclarecimento foi mais seco: «Lamentamos mas não podemos aceder ao seu pedido».

E pronto, perante isto desisto, conformo-me. Fiz tudo o que podia.

E agora, como se já não bastasse ficar com o palato deformado, a minha filha vai ficar também com o nariz achatado.

Coitadinha da miúda.

Que eu saiba os meus pais não tiveram problemas destes. Tiraram-me a chucha com 1 ano e pronto. Mal ou bem lá me habituei e não há registos de quaisquer dramas.

É um facto que sou um bocado insegura mas será que devo atribuir isso à falta de chucha?

Pelo sim pelo não acho que vou esperar que seja a Maria a querer deixá-la.

1 comentário:

JOE disse...

Fala a mãe da filha que largou a chucha aos 4 anos: isso é muito simples. Em 4 etapas resolves o assunto.
1ª Prepara-te. Acredita que ela é capaz de viver sem a chucha. Ela é mesmo, amiga!
Não hesites e acredita mesmo nisto.
2ª Enventa uma história. Mostra a faceta de enventora que há em ti!
Conta a história com muita crença e muito empolgada. Tipo: a cegonha precisava de uma chucha para um bebé que não tinha e não parava de chorar, veio cá a casa e levou as da Maria patanisca! Faz-te de surpreeendida.
3ª Sê forte e não voltes atrás com a tua posição. Afinal, a cegonha levou mesmo as chuchas...
Se ela precisa só da chucha para dormir, vais ter de aguentar uns três dias com ela a chorar. É só um bocado, depois fica cansada e adormece. Até adormece mais rápido!
Fica ao pé dela e dá-lhe muitos mimos! Talvez um boneco ajude.
4ª Quando ela acordar, dá-lhe muito beijinhos e diz-lhe que ela é crescida porque conseguiu adormecer sem a chucha. Estás muito orgulhosa dela! E a cegonha também!!
Conta a estória a todos familiares próximos que possam estar com ela. Ajuda a reforçar.
FORÇA!